O
Fusca, Carocha ou Volkswagen Sedan
foi o primeiro modelo fabricado pela companhia alemã Volkswagen.
Foi o carro mais vendido no mundo, ultrapassando em 1972 o recorde
do Ford modelo T. O último modelo do Fusca foi produzido
no México em 2003.
Fusca
1.600 brasileiro, produzido entre 1993 e 1996, apelidado de
s érie "Itamar"
História
Produzido
de 1945 (data em que foi retomada a produção, que
na verdade iniciou em 1938 e foi paralisada pela Segunda Guerra
Mundial) até 30 de julho de 2003 (por último na fábrica
de Puebla no México), o "besouro", como é chamado
nos Estados Unidos e na maior parte dos países, cativou o
mundo.
Início
do projeto

Ferdinand Porsche
Em
1930 a Alemanha, assolada por uma dura recessão, tinha um
dos piores índices de motorização da Europa.
Nesta época popularizou-se a expressão "Volkswagen"
(Volks, povo, Wagen, carro, significando carro do povo), simbolizando
o desejo dos alemães de possuir um carro popular, barato
e econômico que servisse toda a família. Naquela época,
diante das dificuldades econômicas, isto parecia impossível.
Esta
idéia cativou também o projetista de carros austríaco
Ferdinand Porsche, que em 1931 defendia a idéia de produzir
um carro popular. Neste mesmo ano a Zündapp, fabricante de
motos, encomendou a Porsche a construção de três
protótipos. Eles foram batizados de "Tipo 12", já
que Porsche numerava todos os projetos de seu escritório,
o Konstruktionbüro.
Porsche
estava bastante entusiasmado com o projeto. O carro seria pequeno,
com motor traseiro de três cilindros em "W", e teria carroceria
aerodinâmica para reduzir a potência necessária
e o tamanho do motor.
Os
primeiros modelos, ainda muito diferentes do "Fusca", estavam prontos
em 1932. No entanto, a Zündapp, por problemas financeiros,
rompeu o contrato.
Porsche,
porém, já havia negociado com outro fabricante, a
NSU, para desenvolver o "Volkswagen". O modelo da NSU foi chamado
de "Tipo 32", e já era bem semelhante ao "Fusca" como o conhecemos.
No entanto, em 1933, a NSU desistiu do projeto.
Apoio
de Hitler

Nesta
época Hitler havia tomado o poder na Alemanha e estava comprometido
com a modernização do país e a recuperação
da economia, principalmente do emprego. Para Hitler a idéia
de um "carro do povo" feito por trabalhadores alemães e viajando
por todo o país era a exata realização desta
plataforma política. Em 1933 um amigo de Porsche dos tempos
em que ele trabalhava na Daimler, Jacob Werlin, intermediou um encontro
de Porsche com o ditador.
Neste
encontro, Hitler mostrou-se bem informado sobre os projetos de Porsche
na NSU e com opinião formada sobre o "carro do povo". Segundo
Hitler ele deveria ser barato, não ultrapassando os mil marcos
imperiais, transportar de quatro a cinco pessoas e alcançar
e manter 100 km/h com uma média de consumo de 14 km/litro.
Embora
para Porsche aquele parecesse um sonho impossível, Werlin
o convenceu a aceitar a verba de vinte mil marcos por mês
para desenvolver o projeto.
Diversas
tentativas foram feitas para demover Hitler de vários de
seus pedidos com relação ao Volkswagen, mas com relação
ao preço ele foi intransigente com o valor máximo,
agora fixado de forma arbitrária em 990 marcos.
Mesmo
assim, o contrato foi assinado em 1934 e os equipamentos foram instalados
na casa de Porsche em Stuttgart.
Os
problemas do projeto
Porém,
havia outros problemas além das exigências de Hitler.
Porsche rapidamente conseguiu a oposição da RDA, que
era a associação de classe dos fabricantes de carros
na Alemanha, para o projeto do Volkswagen. Particularmente de um
executivo da Opel, Heinrich Nordhoff, que defendia que um automóvel
não deveria ser produzido pelo governo e sim pelos fabricantes.
Pior
que isto, o Fusca deveria passar pela aprovação da
RDA, função que Hitler lhe havia entregue, através
de uma série rigorosa de testes jamais antes aplicada a carro
algum.
As
dificuldades técnicas envolvidas no projeto não eram
menores. Fabricar um carro pequeno que tivesse o desempenho e confiabilidade
das especificações era um desafio bem maior que o
projeto de outros carros da época, e exigia o desenvolvimento
de novas tecnologias e de soluções inteligentes.
O motor
foi uma dificuldade à parte. Primeiro, foram tentados motores
de dois e três cilindros, para reduzir os custos, mas eles
não eram confiáveis e não produziam a potência
necessária para o carro.
Para
economizar espaço pela eliminação do radiador,
optou-se por um motor refrigerado a ar. Como o motor era traseiro,
havia problemas técnicos para a tomada de ar para a refrigeração.
Um
engenheiro da equipe de Porsche sugeriu usar um motor radial de
cinco cilindros, que já estava pronto. Inicialmente a idéia
pareceu absurda, pois este era um "motor de avião". No entanto,
por algum tempo, tentou-se esta solução.
Finalmente,
foi escolhido o motor traseiro de quatro cilindros (boxer oposto
dois a dois) refrigerado a ar. A suspensão era resistente,
por barras de torção, o que reforçava a idéia
de um carro popular e durável.
A escolha
do motor de quatro cilindros teve a oposição ferrenha
de Heinrich Nordhoff da RDA, mas esta foi a escolha final. Chapas
de metal curvado, encurtando o capô dianteiro e a traseira
"corcunda" acabaram dando ao carro o aspecto característico
de "besouro".
Um
problema com a traseira tão curta foi obter espaço
para o motor. Uma idéia genial, adotada no Fusca, foi inclinar
o motor levemente para dentro, o que economizava preciosos centímetros
do capô.
Testes
do protótipo
Depois
de muita dificuldade com o projeto, três protótipos
do primeiro Volkswagen, dois chamados V1 e um conversível
V2, ficaram prontos e foram entregues a RDA em 12 de outubro de
1936 para testes.
Em
três meses cada um deles rodou 50 mil quilômetros, enfrentando
os piores terrenos, durante uma rotina de testes seis dias por semana.
O relatório final da RDA aprovava o projeto.
Os
problemas ficaram apenas no freio, que ainda era a varão,
e o virabrequim (girabrequim), que quebrava com freqüência.
Em
1937 foram produzidos trinta unidades pré-série, a
cargo da Daimler-Benz e financiados pela RDA. Eles foram submetidos
a uma bateria de testes ainda mais dura, chegando os trinta em conjunto
a rodar 2,4 milhões de km nas mãos de membros das
SS, a tropa de elite de Hitler.
Início
da produção
Devido
a um pedido de subsídio que a RDA fez, e à oposição
de Porsche a este pedido, a RDA acabou rompendo com o projeto do
Volkswagen. Porsche estava convencido que com um bem planejado sistema
de produção em massa poderia construir o carro ao
preço sugerido e sem o subsídio.
O carro
foi batizado oficialmente de KdF-wagen (KdF significa "a força
pela alegria") pois houve o envolvimento da frente de trabalho alemã,
a KdF, para levantar os fundos necessários para a construção
da fábrica. A KdF decidiu que cada carro seria vendido por
um sistema, parecido com o que existe no Brasil, chamado de consórcio,
em que o interessado deveria pagar 5 marcos por semana e tomar posse
do carro apenas depois de completar os pagamentos. Apesar disto,
cerca de 175 mil alemães aderiram ao plano.
Em
26 de maio de 1938 foi colocada a pedra basilar da fábrica,
com a presença do próprio Hitler. Mais de setenta
mil pessoas participaram da solenidade.
No entanto,
em 1939 com o início da Segunda Guerra Mundial, a produção
foi interrompida e a fábrica dedicada a produzir veículos
de guerra, como o jipe Kübelwagen e o carro anfíbio Schwimmwagen,
ambos baseados na plataforma do "Fusca".
Retomada
da produção no pós-guerra
Após
a guerra, a Alemanha foi dividida em zonas que ficaram sob controle
dos aliados. A zona em que ficava a fábrica do Volkswagen,
complexo chamado de "Cidade KdF", rebatizada após a guerra
de Wolfsburg, ficou na zona controlada pelos britânicos. O
comando da fábrica ficou nas mãos do Major Ivan Hirst,
um apaixonado pelo "Fusca".
Os
britânicos, sem saberem exatamente o que fazer com a fábrica,
acabaram por reativar a produção em agosto de 1945,
para produzir carros para as forças de ocupação
e para o serviço público alemão.
No
entanto, os britânicos não desejavam administrar para
sempre a fábrica e tinham de encontrar uma forma de passá-la
para o governo alemão. A solução foi chamar
o antigo dirigente da RDA, e inimigo do "Fusca" nos seus primórdios,
Heinz Nordhoff, para assumir a fábrica. Fê-lo em janeiro
de 1948, com carta branca do Major Hirst, e ficou no cargo até
sua morte em abril de 1968.
"
Der Weltmeister", o Fusca que quebrou o recorde de produção
do Ford T.
Logo
Nordhoff percebeu que a única forma de expandir a fábrica,
e gerar importantes empregos para os alemães no pós-guerra,
era exportar os "Fuscas", particularmente para os Estados Unidos.
Nos
Estados Unidos os "Fuscas" logo se tornaram uma paixão, mesmo
sem muita propaganda, que era feita da boca para o ouvido, entre
os apaixonados pelo "carrinho".
O
sucesso e o fim da produção
O sucesso
das iniciativas de Nordhoff, incluindo peças de publicidade
criativas e divertidas, somado ao charme do "carrinho", acabou tornando
o "Fusca" o carro mais popular da história do automobilismo,
superando em 1972 o recorde do Ford modelo T, ao comemorar a produção
de 15.007.034 unidades.
Em
1973 ocorreu o auge da popularidade e produção, com
1,25 milhão unidades produzidas no ano. A partir de então,
a produção começou a cair, até que a
produção do carro foi encerrada no México em
2003, registrando o recorde de 21.529.464 "Fuscas" produzidos no
total.
Nomes
O Volkswagen
Seda recebeu alcunhas (apelidos) em quase todos os países
em que foi vendido, normalmente versões locais para o nome
do escaravelho:
- Käfer
na Alemanha
- Fusca
no Brasil
- Coccinelle
na França
- Σκαθάρι
("Skathári", besouro) or Σκαραβαίος
("Skaravéos", escaravelho) na Grécia
- Maggiolino
na Itália
- Vocho
no México
- Kever
nos Países Baixos
- Kuplavolkkari
(kupla, bolha) na Finlândia
- kotseng
kuba ("carro corcunda") ou pagong ("tartaruga") nas Filipinas
- Kodok
("sapo") na Indonésia
- Garbus
("corcunda") na Polónia
- Brouk
na República Checa
- Carocha
em Portugal
- Escarabajo
(escaravelho) na Espanha e parte da América Latina
- חיפושית
("Hipushit") em Israel
- Косτенурка
("Kostenurka") na Bulgária ("tartaruga")
- عقروقة
("Ag-ru-ga") no Iraque
- Boble
("bolha") na Noruega
- Buba
na Croácia
- Bug
ou Beetle nos Estados Unidos
No
Brasil

O primeiro
Volkswagen brasileiro foi lançado em 1959, obedecendo, com
poucas modificações, ao do projeto de Ferdinand Porsche,
lançado na Alemanha vintes anos antes.
A origem
do nome Fusca está relacionada com a pronúncia alemã
da palavra Volkswagen. O nome da letra V em alemão é
"fau" e o W é "vê". Ao abreviar a palavra Volkswagen
para VW, os alemães falavam "fauvê". Logo que o Fusca
foi lançado na Alemanha, ficou comum a frase "Isto é
um VW" ("Das ist ein VW"). A abreviação alemã
"fauvê" logo se transforma em "fulque" e "fulca". "Desde que
começaram a circular os primeiros Volkswagens, em 1950. também
apareceu a corruptela da palavra Volkswagen passando pela influência
da colônia alemã",-- explica Alexander Gromow para
o Jornal do Brasil de 7 de agosto de 1993 - "Em Curitiba se fala
"fuqui" ou "fuque" e em Porto Alegre é "fuca", acrescenta
Gromow. "Mas em São Paulo, talvez por uma questão
de fonética, acrescentaram o "S" na palavra e o Volkswagen
virou Fusca."
Em 1967, a Volkswagen adota um motor de 1.3 no lugar do antigo 1.2.
Nas propagandas, apareciam os carros com uma cauda de tigre saindo
da traseira em alusão a maior potência (44cv contra
os antigos 36cv).
Vale
notar que durante esta época o Fusca gerou vários
derivados no mercado nacional, tais como o Vw 1600, o TL, a Variant,
o Karmann Ghia TC, o SP2, a Variant II, o Brasília e o Gol
Em
1973 foi o último ano dos fuscas sem entrada de refrigeração
atrás da janela traseira.
O fusca
1500 durou de 1970 até 1975. Em 1974 foi introduzido o "Bizorrão",
o fusca 1600-S com carburação dupla e rodas aro 14.
Em
1979, há uma alteração no modelo e as lanternas
traseiras passam a ser maiores, e passam a ser chamadas "Fafá",
em alusão aos grandes seios da cantora Fafá de Belém.
Em
1983, a empresa resolveu rebatizar o modelo no Brasil, adotando
o nome que se tornara popular, Fusca. Até então o
automóvel era oficialmente denominado VW Sedan nos registros
dos Detrans.
A Volkswagen
desistiu de fabricá-lo em 1986, alegando que era um modelo
muito obsoleto, apesar do carrinho ser o 2o carro mais vendido daquela
época, atrás apenas do Chevrolet Monza e de ter fôlego
o suficiente para permanecer mais uns bons anos no mercado. O real
fato é que a Volkswagen queria abrir espaço para a
Família BX, composta por Gol, Parati e Voyage.
Em
1993, por sugestão do então presidente Itamar Franco
a empresa voltou a fabricar o modelo. Itamar queria a fabricação
de carros populares, e sugeriu que o Brasil precisava de um carro
como o Fusca. Foi aprovada, então a Lei do carro popular,
que previa isenções e diminuições de
impostos para os carros com motor 1.0, e o Fusca e o Chevrolet Chevette
L, embora tivessem motores de 1.6l, foram incluídos.
Assim,
o Fusca voltou a ser fabricado no período de 1993 a 1996,
vendeu bem, mas bem longe da meta esperada pela Volkswagen, a principal
razão para que o Fusca não vendesse tão bem
se deve ao fato de seu acabamento espartano demais diante dos concorrentes
surgidos em meados da década de 90, como o Fiat Uno Mille
e Chevrolet Corsa de primeira geração, que tinham
preços muito próximos do velho Besouro, porém,
com acabamento e equipamentos bem melhores que os do Fusca.
A empresa
deixou de produzir novamente o carro em 1996, com uma série
especial denominada Série Ouro.
No
período entre 1993 a 1996, foram produzidos cerca de 40.000
Fuscas apenas.
Até
hoje, 2006, o Fusca permanece com um dos carros usados de maior
venda no mercado nacional.
Origem:
Wikipédia, a enciclopédia livre.
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